Fala-se muito e é de fundamental importância para a segurança de todos os tubaronenses ressocializar os detentos. O novo Presídio Regional de Tubarão, no entanto, custou R$ 7 milhões e, mesmo com solicitação documentada do Conselho Municipal de Segurança e da OAB local, não foi construída a sala de aula.
Sem instrução, perspectivas e com rótulo de ex-presidiários, 70% dos que cumprem pena voltam a delinquir e com maior periculosidade – aumentando a já assustadora massa marginal – segundo o Conselho Nacional de Justiça. Com medidas de ressocialização, que incluem, principalmente, o estudo e o trabalho, este percentual cai para 10%.
A mencionada sala de aula e as escadas para acesso ao 2º piso do presídio somente foram construídos graças à articulação do Conselho Municipal de Segurança de Tubarão (Comset) com a Associação Regional de Engenheiros e Arquitetos da Região de Tubarão (AREA -TB) que viabilizou o projeto e o pagamento das taxas, e com as empresas tubaronenses Tractebel Energia, Copetrol, Casa do Encanador e Ferrovia Tereza Cristina, que doaram e colocaram no local os materiais de construção. A mão de obra foi dos próprios detentos. Ou seja, as duas obras custaram nenhum centavo público.
O que isso significa? Que o problema nem sempre é a falta de dinheiro público. Afinal, foram gastos (não pode ser considerado investimento enquanto não proporciona retorno para a sociedade) R$ 7 milhões. É de miopia oficial que enxerga prisão apenas como castigo em vez de espaço para reinserção na sociedade, e segurança como apenas repressão, quando prevenir custa menos e é mais eficiente. Então o discurso oficial é avançado, mas a prática é retrógada e resulta em menos sossego para a sociedade e retrabalho para os minguados efetivos policiais.
Na mencionada sala de aula estudam 46 detentos, que podem receber certificados – com a parceria do Centro de Educação de Jovens e Adultos de Tubarão (Ceja) – nos níveis de alfabetização, ensino fundamental e médio. As mudanças já são perceptíveis: “Eles ficaram mais calmos, sociáveis e conseguem ter uma percepção diferente do mundo que os espera lá fora”, afirma o diretor do presídio.
Em reunião ordinária do Comset, na próxima quarta-feira, às 14h30min, no presídio, será realizada uma visita à sala de aula em funcionamento e um agradecimento especial, com uma placa, às empresas e entidades mencionadas, que ajudaram na viabilização do espaço e do acesso. Participe.
Com bons projetos, credibilidade para articular parceiros e coragem para contrariar interesses que não são os da coletividade, é possível, e necessário, preparar Tubarão para crescer sem perder o status de cidade segura.

